Você vai sentir isso


 Hoje, enquanto passava o tempo olhando o facebook, no intervalo entre o fim da última aula e o horário do estágio, me deparei com uma montagem de fotos no seu perfil. Quando comecei a ler a legenda logo entendi que o enorme texto se tratava de uma despedida e, ao mesmo tempo, um agradecimento para aquela que estava em todas aquelas fotos e, de repente, havia acabado de partir: sua mãe.

 Olhando para a gente agora, pouco se nota que se tratam de duas meninas que cresceram juntas. Mas, a uns 15 anos atrás não era novidade para ninguém quem era a minha melhor amiga. Ao ver essa publicação no seu feed passou um filme pela minha cabeça. Foi impossível, apesar de não fazermos mais parte da vida uma da outra há tanto tempo, não sentir essa perda. Enquanto lia o texto custei a acreditar que isso realmente tinha acontecido. Me coloquei no seu lugar o tempo todo e senti uma tristeza no coração como há muito tempo não sentia. Me veio à memória várias cenas da nossa infância: quando a gente voltava juntas da escola, quando você vinha pra casa e ficávamos cantando Rouge e RBD, e quando eu te ligava porque estava com medo de ficar sozinha em casa. E você aparecia no meu portão 5 minutos depois. Lembrei de quando íamos fazer trabalho na casa de alguma amiga, e de quando tínhamos aula extra no colégio e, no auge dos nossos 10 anos, a sua mãe sempre ia nos levar. Lembrei também de uma conversa meio doida que tivemos, durante a quinta ou sexta série, num dia qualquer antes da aula começar:

- você preferiria morrer antes ou depois da sua mãe? - me perguntou.
- se minha mãe morresse eu ia sofrer... 
- e se eu morresse minha mãe ia sofrer...
- é...
- eu prefiro que ela não sofra. - você decidiu, por fim.

 Naquela época essa era uma situação tão, mas tão distante para a gente... Eu não consigo imaginar como você está se sentindo agora. 

 No corredor vazio da faculdade me dei conta o quanto crescer dói. Não por tudo o que envolve amadurecer e se tornar independente, mas, principalmente, porque as pessoas que mais amamos começam a se despedir e a nos deixar aqui para continuar a enfrentar o mundo sozinhos. E a gente nunca está preparado para enfrentar o mundo sem aquela que, durante a vida inteira, foi o nosso.

 Eu espero, do fundo do meu coração, que você fique bem e que, um dia, toda essa dor que você está sentindo dê lugar apenas as boas lembranças da vida que você e ela compartilharam juntas. De uma coisa você pode ter certeza: ela nunca vai te deixar enfrentar o mundo sozinha. Você vai sentir isso. 

6 comentários:

  1. Lindo texto, super tocante. Sempre pensei também que preferia sofrer do que fazer sofrer, e, olha, é muito difícil, um sentimento que nunca vai embora...

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  2. Que forte! O tempo passa e não só pelos caminhos que mudam, mas pelas situações em que a vida nos coloca! Eu já fui mais temerosa desse momentos e definitivamente também sou do time que prefere sofre, do que fazer alguém sofrer. Mas, é claro que sempre pesa pensar que talvez essas discussões hipotéticas fiquem mais perto da nossa realidade com o passar do anos. O que me sustenta é focar em fazer o melhor que posso a cada dia, para aproveitar o presente que é estar vivo e ter quem amamos por perto!
    Conheci seu blog pela divulgação no Depois dos Quinze, vir aqui fez valer a pena iniciativa do grupo!
    Beijos

    www.vestidadeceu.blogspot.com.br

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    1. Exatamente, Bárbara! <3
      AH, MUITO OBRIGADA!!! Você não tem noção do quanto me deixou feliz agora!
      Beijos!

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  3. Olá Isa!
    Que texto lindo! Perder alguém nunca é fácil, ainda mais quando se trata daqueles que conhecemos desde sempre, nossos pais. Acho que independente de quem vá, alguém sempre sofre, mas devemos ser sempre gratos pelo tempo que tivemos com a pessoa e por todos os momentos que jamais serão esquecidos.
    Beijos!

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