"Um Crime Americano", "Sequestros em Cleveland" e o sentimento pós filme baseado em história real

 Toda vez que começo a assistir a um filme cuja história é tensa demais eu termino de ver com aquela sensação ruim, um peso, sabe? E isso se triplica quando o tal filme tenso é inspirado em algo que aconteceu de verdade! (e que, parando pra pensar, poderia ter acontecido com qualquer um de nós). 

 É o caso de dois filmes que assisti recentemente:  Um Crime Americano e Sequestros em Clevelend

 O primeiro, Um Crime Americano (An American Crime), dirigido por Tommy O'Haver, foi lançado em 2007. Protagonizado por Ellen Page (de Juno!), reconstrói a história de Sylvia Likens, uma jovem de 16 anos, vítima de um dos crimes mais bárbaros de Indianápolis (cidade natal do diretor).

 Em 1965, as filhas de dois artistas circenses, Sylvia e Jennie, vão morar junto com a desconhecida Gertrude Baniszewski e seus 6 filhos, após a moça se oferecer para cuidar das jovens em troca de um cheque semanal de 20 dólares.

 Nada parecia tão ruim. As meninas já conheciam duas das filhas de Gertrude, e Sylvia acabou criando afinidade também com Paula, a mais velha das irmãs. Porém, após o atraso do primeiro pagamento, Getrude acaba descontando a raiva nas meninas, levando-as para o porão e dando uma surra nas duas. A partir daí o inferno só estava começando. Difícil era decidir quem era o capeta.

 Um desentendimento entre Sylvia e Paula foi o verdadeiro start para as mais cruéis violências. Tomada pelo ódio, Paula inventa histórias contra Sylvia, para que a menina seja mais e mais vezes castigada. Acontece que os castigos deixam de ser uma surra (o que já era algo absurdo) e passam para um estágio muito mais desumano.

 No auge do descontrole, da loucura e da perversidade, Gertrude manda trancar Sylvia no porão da casa, tornando-a alvo dos mais diversos tipos de violência, vindas tanto dela, quanto de seus filhos e das crianças e adolescentes da vizinhança, que enxergavam aqueles atos doentios como uma diversão.

 Fiquem tranquilos que não vou dar spoiler! 👍 O que posso dizer é que Um Crime Americano é uma história assustadora que soube ser retratada nos cinemas de forma a impactar o telespectador. O mais revoltante é o descaso e o nível de psicopatia, crueldade, ou sei lá como posso classificar, de TODOS ao redor. Quando terminei de assistir fiquei totalmente sem reação. A última fala do filme, principalmente, é um soco no estômago e te faz refletir e questionar muitas coisas.

 Não é um filme leve, e nem teria como ser. Aconselho muito a vocês que, depois que assistirem, procurarem relatos (e até fotos) da história da verdadeira Sylvia Likens. É triste imaginar que, no fundo, ela viveu coisas muito, muito piores do que as já retratadas na ficção.




 A minha reação pós Sequestros em Clevelend já foi beeem diferente. Mas isso, daqui a pouco eu conto pra vocês!

 Sequestros em Clevelend (Cleveland Abduction) é um filme de 2015, dirigido por Alex Kalimnios e protagonizado por Taryn Manning. Quando eu começar a contar a história, provavelmente você vai lembrar de tê-la visto no Jornal Nacional há uns anos atrás, porque foi bem o que aconteceu comigo assim que comecei a ver o filme.

 A trama mostra a história de Michelle Knight, sequestrada ao 21 anos por Ariel Castro, pai de uma de suas amigas. Ariel não se contentou em sequestrar apenas Michelle, em 2002, fazendo também mais duas vítimas: Amanda Berry, de 16 anos, em 2003, e, um ano depois, Gina DeJesus, de 14 anos. Ambas também amigas de escola de suas filhas. Esses nomes estamparam capas de jornais e foram repetidos incansáveis vezes nos noticiários. Ariel, sempre comparecia nas "passeatas" feitas pelas famílias de Amanda e Gina, e fazia questão de chegar em casa, ligar a TV e mostrar as """cenas de solidariedade""" às jovens. Também fazia questão de repetir a Michelle o quanto ninguém se importava com seu desaparecimento.
  
 Michelle Knight, Amanda Berry e Gina DeJesus passaram 11 anos sob o controle de Ariel Castro, sendo submetidas a diversos tipos de violência física e psicológica. Michelle engravidou de Ariel várias vez, mas, em todas elas, o  próprio a fez abortar com fortes golpes na barriga. Já Amanda deu à luz uma menina dentro do cativeiro. 

 Foi só em 2013 que o crime, teve, enfim, um desfecho. É assustador ver o quão recente essa história é, e o quão comum esse tipo de crime é. Imaginar quantas pessoas estão, neste momento, vivendo uma situação parecida, e ninguém sabe...

 Como falei no início, minha reação com essa história foi totalmente diferente da primeira. Foi muito mais de tristeza e ao mesmo tempo alívio, e emoção, e aí tristeza de novo... do que um choque, sabem? A partir de dado momento, quando a história já vai se encaminhando para o fim, foi impossível não chorar. Chorar de soluçar, de precisar pausar umas duas vezes pra me recuperar. Não é exagero se eu disse que terminei o filme com dor de cabeça, e quando você assistir vai ver que não. 

 Como produção cinematográfica, o filme deixa a desejar um pouco. No início achei que ele parecia um filme amador, sei lá, não sabia explicar direito, até por falta de conhecimento técnico. Mas depois, vendo algumas críticas, li sobre falhas na direção. Mas acho que a história por si só conseguiu cobrir isso e ainda assim transmitir todo o medo, desespero, cansaço, revolta, tristeza enfim... todos os sentimentos sentidos por aquelas meninas durante todo o tempo em que sobreviveram naquele inferno.  

 Como sempre, assim que acabei de assistir fui pesquisar sobre a história real na internet. No youtube tem várias entrevistas com as vítimas reais, com as filhas de Ariel, e tem também a cena verdadeira do julgamento que, aliás, é retratado no filme com muita fidelidade!




 Esse post ficou absurdamente grande, mas eu precisava falar desses filmes com vocês! ❤ Sem dúvida foram os mais marcantes de 2017 até agora (junto com Boys Don't Cry) e eu não sei como ainda não tinha assistido. Obrigada, Jéssica, pela indicação! hahahaha

 Quem quiser mais dicas de filmes assim, é só clicar aqui pra assistir ao vídeo no meu canal sobre 3 filmes tensos inspirados em histórias reais!

 Espero muito que tenham gostado do post! Contem nos comentários se já assistiram a algum dos dois filmes e o que sentiu assim que terminou. Vou adorar saber! 

Um beijo e até o próximo post!
Tchaaau!

3 comentários:

  1. Olá, Isadora.

    Lendo seu post, me volta toda a tristeza e revolta que senti ao assistir esses filmes. Chorei igual criança em ambos, desolador saber que convivemos com tantas pessoas más.

    Como você, também indico procurar sobre o caso na internet depois de assistir, esclarece algumas informações e mostrar o nível de fidelidade de cada obra.

    Sempre que assistir um filme desses irei indicar, não são muitos que assistem, e é sempre bom ter alguém com quem falar sobre, é tão pesado guardar kkk

    Jéssica ;)

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    Respostas
    1. Fazendo o post também me veio toda aquela sensação ruim de novo... :(
      Sim, temos que ter alguém pra dividir a revolta hahaha

      Beijos!

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    2. Gente, não tenho muito estômago pra isso não, confesso XD
      Mas seu post está excelente, Isa! E fiquei curiosa, confesso tbm, haha
      Bjs
      http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

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